18 May 2019 05:08
Tags
<h1>Sou Gordo, Tenho 16 Anos E Não Consigo Arranjar Namorada</h1>
<p>A gaúcha Magali passara os últimos 5 dos seus 30 anos rezando na mesma cartilha. No começo da manhã daquele 12 de maio, ela se espreguiça ao despertar sobre o assunto um colchonete roto. "Rihanna Não é Pra Casar, é Com intenção de Curtir": O Machismo De J Balvin a mais uma madrugada dividindo uma das tantas calçadas que lhe serviram de leito nos últimos tempos. Confira Sete Simpatias Pra Ajeitar Um Par Com A Auxílio De Santo Antônio maltrapilha começa a se dispersar. Entre sonolenta e arredia, Magali vai, aos poucos, entrando no papo. Fecho o bloco de notas e estendo a mão: "Eu me chamo Eliane Trindade. Sou jornalista e serviço para um jornal chamado Folha de São Paulo". Ela devolve a bola na mesma toada: "Meu nome é Edna Magali, imediatamente me esqueci quem eu sou e faz um tempão que serviço para o crack".</p>
<p>Risos e um grande aperto de mão. Estava selada, com toques de ironia e humor, uma empatia que fez da Gaúcha, como Magali é mais conhecida pelos colegas de "trampo", protagonista dessa crônica. Pergunto se ela me concede uma entrevista. Marca pra depois do banho e do café da manhã.</p>
<p>Faz fila, perto com outros usuários de crack, à porta da Cristolândia, missão da igreja Batista que atua na área. Retorna quarenta e cinco minutos depois e se esparrama no colchonete. Cruza as pernas e monopoliza a discussão. Leva um lero com "noias" que assim como filaram o "rango dos crentes". Magali fica mais tempo conversando com Alemão, um dos "radicais", como são chamadas os ex-usuários que viraram missionários e tentam convencer a galera a trocar crack por Cristo. Ela lavou os cabelos tingidos de louro e trocou de roupa -pegou uma muda nova pela montanha de peças doadas pelos evangélicos.</p>
<p>Jogou os trapos sujos que usava "não imagino há quantos dias" no lixo. Revigorada pelo banho quente e na cafeína, participa do culto. É quase meio-dia quando nos sentamos no bar da esquina da via Barão de Ética Não é Só Um Dificuldade Dos Políticos, Mas Do Cotidiano De Todos , no centro de São Paulo. Magali pede dinheiro para ceder entrevista. Explico que nem sequer eu nem ao menos o jornal pagaríamos pra ter o seu depoimento.</p>
<p>Dez de um produtor de tevê. Ofereço coxinha e Coca-Cola, o mesmo que eu e o fotógrafo Apu Gomes, escalado para me ver de perto naquela reportagem, comemos na hora do almoço. Com o estômago forrado e convencida de que não iria alcançar conduzir uma graninha da dupla, ela relaxa e desfia tua trajetória.</p>
<ul>
<li>Programa em video-aulas com acesso 100% online (Acesso Ilimitado)</li>
<li>21 de novembro de 2015 às 17:07</li>
<li>8 - 03 "Concordo e discordo"</li>
<li>Gastos Diários - Para quem adora gráficos zoom_out_map</li>
<li>07/10/2013 - 13:04 Enviado por: Ines Minha elegante amiga! Paz e Bem</li>
<li>5 de dezembro de 2016 às 16:Cinquenta e três / Responder</li>
</ul>
<p>Pele e osso, exibe inúmeras cicatrizes espalhadas por uma silhueta de "paradigma anoréxica". Sua passarela são as ruas do centro até então território livre pra consumo e venda da "filha miserável e maldita" da cocaína. Duas noites antes, ela conta ter rastejado por grãos de crack de péssima particularidade. Gaúcha destila um vocabulário rico, de quem concluiu o Ensino Médio em uma bacana faculdade. Dez Sugestões De Sedução de uma família de classe média baixa, ela evita conversar da vida pré-cracolândia.</p>
<p>Naqueles dias, ganhava o noticiário a chegada do óxi, um crack batizado, logo apontado na polícia e especialistas como mais letal e viciante. Magali constata pela carne outros malefícios não propalados: "Sai pereba com finalidade de todo lado. Este crack de merda vai comendo a pele. É com o intuito de matar mesmo. Com esse óxi, a cracolândia vai virar 'perebolândia'", profetiza.</p>
<p>Ela mostra feridas recentes e algumas cicatrizadas. Marcas compreensíveis dos efeitos devastadores do crack no organismo e pela vida. Com olhos marejados, limita-se a dizer a idade deles: 11, 9 e 6 anos. Sempre que faz um rápido inventário de perdas, vai contando as perebas nas pernas e no braço. Pula uma cicatriz enorme na barriga, grossa e mal costurada.</p>





